quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

JARDIM FLORÊNCIO TERRA: HORTA

Para mim o Jardim Florêncio Terra, que ostenta o nome deste homem nobre faialense: contista, professor e autarca, é o espaço verde urbano mais belo da cidade da Horta. Não só pelo estilo dos seus canteiros e coreto, mas também por parte da sua envolvente, com a torre do Relógio e as novas instalações do DOP.
Apesar disto é um espaço relativamente sossegado, por isso um óptimo local para descansar numa tarde de Verão com um livro ou um leitor de música individual, isto para não perturbar outros que tenham a mesma ideia ;)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

FREGUESIAS RURAIS DO FAIAL 7: Castelo Branco

A freguesia rural de Castelo Branco ocupa grande parte da vertente sul do Faial e apesar de ter uma toponímia igual à de uma capital de distrito em Portugal, parece que o seu nome relaciona-se sobretudo com o domo traquítico que marca imponentemente a costa meridional da ilha, conhecido por Castelo e onde o branco das rochas mais elevadas contrastam com o negro e cinza dos basaltos e havaítos abundantes na geologia dos Açores.

A zona mais central de Castelo Branco observada do aeroporto da Horta

Com pouco menos de mil e quinhentos habitantes, a freguesia parece ter sido criada no século XVI, desenvolve-se numa vertente relativamente suave virada a sul, o que permite terrenos agrícolas soalheiros e de grande produtividade, daí no passado a agricultura ter permitido um desenvolvimento económico relativamente elevado e com exportações dos seus produtos para a cidade da Horta.

O domo traquítico, conhecido por Castelo ou Morro com as suas rocha clara

Hoje, embora a agricultura continue importante, sobretudo no campo da agropecuária, e exista várias pequenas indústrias, uma fracção significativa da população trabalha em Serviços na cidade da ilha, a cerca de 10 km para oriente, ou no Aeroporto da Horta, situado numa faixa costeira a sul da povoação, infra-estrutura que presentemente é uma das principais referências desta comunidade. Realidades socio-económicas que conferem à freguesia um cariz misto entre um ambiente urbano e rural.
As duas localidades da freguesia observadas do interior da ilha

A povoação desenvolve-se sobretudo na principal estrada que circunda o Faial, num troço sensivelmente Este-Oeste, com algumas vias perpendiculares e paralelas, a sua extensão permtiu o desenvolvimento da identidade de duas localidades: Castelo Branco a leste e Lombega a Oeste, que em conjunto mantém uma actividade cultural com algum significado na ilha, com sedes de grupo desportivo, filarmónica e clubes recreativos dinâmicos, além da movimentos culturais paroquiais que tem como orago Santa Catarina.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

RELAXAMENTO A CAMINHO DO TRABALHO

Confesso que levantar cedo no Inverno, a seguir à Quinta-feira de Amigos e ir para o trabalho pode não parecer fácil, mas quando pelo caminho o sol desponta, cobre de vermelho o céu nascente e o Pico surge negro e majestoso, ajuda muito...

Depois desta maravilha visual, a rádio começa a difundir um trecho da sinfonia Ressureição de Mahler e tenho de reconhecer que sou um sortudo por viver nesta linda terra e é um prazer ir assim a caminho do trabalho.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

QUINTA-FEIRA DE AMIGOS

É um jantar de amigos meus noutra ocasião e são amigos todo o ano, independentemente de serem homens ou mulheres... e quase todos geólogos

Hoje nos Açores é Quinta-feira de Amigos. Claro está que também o é em todos os cantos do mundo onde existirem Açorianos que na labuta do dia-a-dia se lembram que esta é a quarta Quinta-feira antes do Carnaval, sei que há os que não se esquecem e as mensagens trocadas neste dia despertam muitos para realidade desta tradição.
Começaram assim os festejos de Carnaval que nestas ilhas, estes não são 3 dias, nem 5, mas 9 dias. Pois Carnaval é precedido de quatro quinta feiras de convívio: Quinta-feira de Amigos, Quinta-feira de Amigas, Quinta-feira de Compadres e Quinta-feira de Comadres. Cada uma um pretexto para jantares de convívio, por vezes com abusos típicos do Entrudo.
Presentemente as Quintas-feiras de Amigos e Amigas tendem para comemorações separadas de homens e de mulheres respectivamente. No primeiro caso, as excepções são mais frequentes, mas no Dias das Amigas cuidado com elas, pois homem é espécie que não deve ter a veleidade de ir aos restaurantes e bares nessa noite... há quem se esqueça que, por vezes, alguns são meros visitantes nas ilhas, alheios a esta tradição e nem sempre se sentem tão bem perante esta particularidade insular.

A todos os amigos aqui vão os meus votos:
Tenham uma Feliz e Divertida Quinta-feira de Amigos

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O ROSTO EUROPA

Imagem: Wikipédia


O DOS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhas sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa
in Mensagem

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vulcões de Lama (4) catástrofes e verdades científicas

Contrariamente aos Açores, uma zona de afastamento de placas e onde a crosta e as ilhas são essencialmente de origem vulcânica; nas regiões de placas convergentes, existem formações vulcânicas e fracções significativas de rochas com origem em sedimentos, viabilizando a ocorrência em locais próximos de erupções vulcânicas magmática, jazigos de hidrocarbonetos e ainda vulcões lama.
Na confluência destes ambientes geológicos, o homem pode acidentalmente provocar mesmo um vulcão de lama e foi o que aconteceu na ilha de Java.



Considerada como a ilha mais vulcânica do mundo, uma perfuração para extrair hidrocarbonetos, em Sidoarjo - Java Oriental, originou o vulcão de lama agora chamado de Lusi, cuja erupção foi sem dúvida uma das maiores catástrofes do género, onde a dimensão está bem expressa nos vídeos deste post.




Assim e para terminar esta série, despoletada pela descoberta de uma possível cratera de impacte a sul dos Açores, que alguns consideram resultar de um vulcão de lama, tenho a dizer que tenho dúvidas sobre esta possibilidade, dada as dimensões do "ovo estrelado" e características geológicas da região. A ser, algumas verdades científicas serão abaladas e este foi um dos objectivos da sequência, alertar que em ciências as certezas não são definitivas e hipóteses que nos parecem estranhas podem muitas vezes são mecanismos do avanço do conhecimento. Também era verdade que o Sol andava à volta da Terra! Não era tão evidente da observação dos factos naquela época?
As surpresas em ciências hoje ainda acontecem e os Açores têm sido fonte de várias e eu até conheço uma teoria que justificava tal hipótese, mas sempre a considerei aberrante para a aceitar... se calhar um dia lá terei de ceder.

Links
Glossário da USGS
Vulcões de lama
A erupção de Lusi
Sidoarjo Mud Volcano
Hidrato de Metano

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 3

Uma das áreas onde existe uma grande quantidade de vulcões de lama é no fundo do mar, sobretudo junto à plataforma continental.
Tal deve-se ao facto desta zona acolher muitos sedimentos, incluindo matéria orgânica, que ficam estratificados e soterrados. Estes estratos podem ter enormes quantidades de gás metano sob a forma de hidrato de gás, onde aquele fica aprisionado em moléculas de água formando uma estrutura sólida que alguns dizem ser gelo que arde, também nesta plataformas encontram-se com frequência depósitos de hidrocarbonetos, basta lembrar as muitas plataformas petrolíferas em torno de vários continentes. Daí a ligação de vulcões de lama a estes potenciais recursos energéticos.
Uma das regiões muito ricas em vulcões de lama e com hidratos de gás situa-se entre o Algarve e Marrocos, conhecida por Golfe de Cádiz, aqui biólogos portugueses, nomeadamente da Universidade de Aveiro, já identificaram também muitas novas espécies de seres vivos específicas deste tipo de ecossistema e existem igualmente investigadores de outras ciências a estudar estas estruturas geológicas.


Assim, à semelhança das chaminés hidrotermais, também os vulcões de lama, com as suas emanações de gases e outras substâncias, estão a ser considerados como locais muito importantes para a biodiversidade do planeta, mostrando ao homem estas estruturas geológicas como suporte de novas formas de vida, mesmo em condições que pareciam não permitir a sobrevivência de seres de qualquer espécie.
As ciências da natureza de facto são uma fonte de surpresas, mesmo para os cientistas de hoje, continuam a deitar por terra verdades científicas do passado e assim evolui o conhecimento do homem.

(continua a série de vulcões de lama)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA - 2


Uma erupção relativamente suave com cone

Nas regiões vulcânicas, os cones dos vulcões de lama, por norma, são de pequena dimensão, altura de 1 a 2 m. A lama resulta de reacções das rochas com a água e os gases ácidos que circulam dentro da crosta em profundidade, originando a formação de argilas.
Posteriormente, a água quente e os gases sobre pressão ascendem à superfície através de fissuras que arrastam as argilas e originam estas erupções que podem ser calmas ou relativamente explosivas e projectam lamas mais ou menos fluídas.
Por norma, as estruturas construídas pelos vulcões de lama em regiões vulcânicas são de menores dimensões e não muito ricas em determinados gases.


Período de erupção mais intensa do vulcão Macalube que tem associado uma reserva natural na Sicília

Nas regiões de origem sedimentar existem muitas vezes em profundidade estratos de materiais argilosos que se formaram anteriormente à superfície de terra ou dos mares.
Se estas camadas estiverem sujeitas a esforços tectónicos, podem então surgir fracturas nas rochas que as cobrem, por onde os gases e a água são forçados e ascendem à superfície sob a forma de lama, construindo então cones ou lagos que podem atingir grandes dimensões.
As os jazigos de hidrocarbonetos (gases e petróleo) como são muito ricos em fluídos, muitas vezes também estão associados a este tipo de vulcões.

Em próximos posts espero continuar com mais algumas curiosidades e catrástrofes sobre o tema e informações de links para saberem mais do assunto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

NOVAS INSTALAÇÕES DO DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E PESCAS - DOP

Hoje nas comemorações do 34.º aniversário da Universidade dos Açores foram inauguradas as novas instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas na cidade da Horta (DOP).

A partir de agora o DOP vai ocupar o belíssmo edifício há muito abandonado do antigo Hospital Walter Bensaúde, agora reabilitado e readaptado às novas condições de centro de investigação das ciências do mar e das pescas.

Se o DOP até agora já era um centro de investigação reconhecido internacionalmente e de grande importância no seio do Atlântico Norte...

... agora pode ser um belo exemplo de aproveitamento de um imóvel, que não só era um marco arquitectónico na cidade da Horta, mas também um edifício cheio de história e significado para muitos açorianos, incluindo eu, pois ali a minha vida foi salva faz agora 40 anos.
Intervenções modernas sem descaracterizar os alçados antigos, arranjos paisagísticos de grande qualidade e uma reestruturação profunda do interior, marcam profundamente este projecto de arquitectura.

Um imóvel, não só com espaços agradáveis nas zonas livres da propriedade.... mas que possui um belo jardim público fronteiro, o que lhe permite estar cercado por uma das zonas mais calmas e verdes da cidade da Horta.

As cerimónias do aniversário da Universidade dos Açores, onde obtive o meu mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos, terminaram com uma sessão solene, com os discursos de circunstância, momentos musicais e uma Oração de Sapiência pela Doutora Ana Martins do DOP, subordinada ao tema "A Influência da Oscilação do Atlântico Norte na Variabilidade Climática Inter-anual do Oceano Atlântico Nordeste."

Assim, ficámos a saber que além do "El Niño", também o gradiente de pressão entre o Anticiclone dos Açores e o centro de Baixas Pressões da Islândia (OAN/NAO) é um dos elementos que mais condiciona as condições meteorológicas nos Açores e em toda a Europa e, claro está, o frio que nestes dias está a ocorrer no velho continente, além de que alterações climáticas podem existir, mas a influência antropogénica ainda é alvo de muita discussão no seio da ciência.

Parabéns Universidade, Parabéns DOP.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 1

No post relativo à descoberta de uma nova estrutura submarina próxima dos Açores, alcunhada de "ovo estrelado", foram apresentadas duas hipótoses iniciais para explicar a sua formação: o impacte de um meteorito ou a existência de vulcões de lama.
Os vulcões de lama efectivamente são fenómenos pouco conhecido da população em geral e podem situar-se em zonas vulcânicas ou não, embora neste último caso, por norma, ocorram associados a regiões sísmicas e com jazidas de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural).
Os vulcões de lama, embora possam formar estruturas que se assemelham a aparelhos vulcânicos, não expelem material magmático, mas sim produtos diferentes tal como água, argila e diversos gases (nomeadamente metano) e geralmente a muito menor temperatura.

Vulcão de lama de Yagrumito, Estado Monagas, Venezuela. Foto retirada daqui e nas condições lá mencionadas

Os edifícios construídos por estas erupções podem ter pequena dimensão com diâmetros de metros a vários quilómetros e alturas de centímetros e várias centenas de metros.
Uma outra curiosidade sobre as erupções de lama é que, ao contrário das magmáticas, existem casos devidamente documentados que demonstram que as mesmas resultaram de acções do próprio homem e com efeitos bem desastrosos.

Assim, ao longo de vários posts, continuados ou não, geocrusoe irá dar a conhecer um pouco sobre este tipo de erupções que, embora não seja ainda certo estarem associadas ao "ovo estrelado", existem seguramente na plataforma continental entre a Península Ibérica e Marrocos, aqui bem perto de nós.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIA DE REIS

Presépio tradicional em exposição na freguesia do Salão

O mundo moderno acabou em Portugal com mais uma das festas tradicionais relacionadas com o Natal, o Dia de Reis, que se celebrava sempre no dia 6 de Janeiro, provavelmente uma das origens da tradição das ofertas natalícias e hoje limitado a cerimónias religiosas no primeiro domingo após o dia 1 de Janeiro.
A festividade recordava o relato evangélico da visita dos reis magos ao recém-nascido Jesus que, segundo tinham lido nas estrelas, seria o futuro rei de Israel, informação que levou ao medo de Herodes e à tentativa de matar o Menino.
Assim, já há milhares de anos que é conhecida a possibilidade de aceitação da mensagem cristã por pessoas de todos os quadrantes da Terra, como a recusa e a luta contra este mesmo credo por outros, situação que não é de hoje e só a tolerância e o respeito pela fé dos outros permite ultrapassar... o que dificilmente se conseguirá na totalidade algum dia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CINZENTOS E NEBLINAS DE INVERNO

Depois de uns dias tempestuosos, esta tarde o Pico deixou-se mostrar momentaneamente ao Faial através de um cinzento fosco de inverno, coberto com um gorro de neve e envolto com um xaile de algodão sujo...

domingo, 3 de janeiro de 2010

CONCERTO DE SOLISTAS NA MATRIZ



Hoje, dia 3 de Janeiro de 2010;
Pelas 21h:30;
Na Igreja Matriz da Horta.

Concerto de Solistas da Horta Camerata

Iniciativa e Direcção Artística de Kurt Spanier

PARTICIPE!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ANO NOVO COM MAR ALTEROSO

Apesar do amainar do vento no início de 2010, a verdade é que hoje, ao crespúsculo do primeiro dia do ano, a praia onde me banhava no último ano apresentava um aspecto típico de uma tempestade.

Apesar da escassez da luz, é ainda bem evidente a força da ondulação, a agitação litoral do mar e a erosão total do areal que cobria antes o calhau desta praia.

Espero que o tempo invernoso que nos últimos dias não nos tem dado tréguas, agora no início do ano novo nos deixe descansar um pouco do rigor que nos tem imposto.