terça-feira, 29 de junho de 2010

Poetas Lusófonos 8 - Portugal

Para encerrar esta série Poetas Lusófonos, que correu todos os oito países de expressão oficial portuguesa, vai um poema daquele que para mim é o maior e mais diversificado poeta da nossa língua: Fernando Pessoa, aqui a falar sobre si mesmo.


Não sei quantas almas tenho


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.


Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo:
Deus sabe, porque o escreveu.



Fernando Pessoa

sábado, 26 de junho de 2010

SÃO PEDRO DA BOCA DA RIBEIRA

Este ano a festa de São Pedro da Boca da Ribeira, na Ribeirinha, chega um pouco mais cedo.
Além da componente religiosa, existe o baile com as chamarritas, os churrascos e o convívio, onde a tudo isto se junta a espontaneidade e a tradição da população se reunir em torno do seu porto para passar uns bons momentos de Verão com a desculpa deste Santo Popular e Pescador.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Crise sísmica no Faial continua

O centro do círculo maior indica a zona epicentral (clique na imagem para a ampliar)

Já há vários meses que se desenrola uma crise sísmica de origem tectónica a NW dos Capelinhos na ilha do Faial.
Na crises já ali anteriormente ocorridas é normal estas estenderem-se por vários meses, com momentos de maior libertação de energia que provocam sismos sentidos no Faial, com maior intensidade na Oeste. Tal como aconteceu hoje às 9h26 com um evento de magnitude 3.8 Richter que atingiu uma intensidade IV/V no Capelo e Praia do Norte.
Apesar de não serem conhecidos eventos catastróficos a partir desta zona, os faialenses têm sempre de ter em conta o facto de se estar numa região de elevada sismicidade e para o que isso significa em termos de protecção pessoal.
Por isso, recomenda-se calma e a acompanhar a situação na página do CVARG e a ter em conta os comunicados e recomendações da Protecção Civil.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SISMOS

Por norma não se devem relacionar as alterações climáticas com os terramotos que acontecem no planeta.
Todavia, os degelos das calotes glaciares e provavelmente das glaciações, provocam alterações da carga sobre a supefície terrestre.
Estas variações do peso do gelo conduzem localmente a afundamentos e levantamentos da crosta (movimentos isostáticos) que podem conduzir à reactivação de falhas antigas ou ao aparecimento de novas falhas para se darem os necessários reajustamentos da superfície terrestre, as quais são capazes de gerar sismos com alguma intensidade.
A vermelho a zona epicentral do sismo a norte de Ottawa
(imagem adaptada do Googlemaps clique para aumentar)


Hoje, a minha região natal, o Sudeste de Ontario, bem como o sul Quebec e parte da Nova Inglaterra nos Estados Unidos foram abalados por um sismo de magnitude 5, cuja causa é precisamente interpretada por reajustamentos da superfície associados aos degelos do fim da última glaciação, onde a calote polar se estendia até esta área do continente Norte Americano.
A magnitude máxima histórica para esta região pouco ultrapassou o 6, mas é improvável a ocorrência nesta área de sismos que atinjam dimensões catastróficas. Pode neste blogue obter acessos a mais informações de caracter técnico.

Notícia inicial extraída daqui.

PICO COM CAPELO

O mar para o vento funciona como uma superfície plana. Assim, nesta zona do Atlântico, os Açores são as únicas perturbações à normal circulação do ar.
A montanha do Pico, com 2351 m de altitude, é o obstáculo mais importante das ilhas e provoca localmente alterações na intensidade e direcção do vento, com reflexos na condensação de água e formação e redistribuição das nuvens à sua volta, cujas formas o povo do Faial, Pico e São Jorge aprendeu empiricamente a utilizar na sua previsão meteorológica de curto prazo.
O capelo, em forma de barrete em torno do Piquinho, por norma, indica chuva no dia seguinte. O cinto, uma faixa a meia altura da montanha, indica bom tempo.
Foi a olhar a natureza e a partir das interpretações iniciais mais simples que o Homem construiu as ciências e depois chegou até às maravilhas tecnológicas da actualidade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PATRIMÓNIO - CONSTRASTES

Não sei se é património público, particular ou parcialmente privado, sei que o conjunto é de grande beleza e situa-se em São Jorge, entre Ribeira Seca e Calheta.
Aliás, dispersos por esta ilha, existem vários imóveis do mesmo estilo, os quais emprestam um encanto especial à paisagem e enriquecem os aglomerados populacionais, incluindo o património de várias freguesias rurais.

O contraste entre a ermida e o solar é evidente, não sei as causas, nem atribuo as culpas a quem desconheço, mas São Jorge e o Concelho da Calheta só ficariam a ganhar com a recuperação global do conjunto.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO aos meus olhos

Morreu José Saramago, prémio Nobel da Literatura de 1998, um vulto da cultura lusófona conhecido em todo o mundo e um dos escritores portugueses que mais obras li, onde a discordância de ideias não afectava a paixão que nutria pelos seus livros.

José Saramago - Foto daqui

Após uma fase neo-realista crua a dura, José Saramago evoluiu para temas onde continuava a levantar questões sociais, de uma forma muitas vezes sarcástica, através de tramas onde descrevia com pormenor as relações humanas actuais em mundos que misturavam acontecimentos reais, fictícios e situações irreais não naturais, acompanhadas de uma escrita revolucionária e original, com parágrafos muitos extensos, ausência de vários sinais de pontuação e uso frequente de expressões comuns.

Imagem daqui

Três livros me marcaram: Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira, e A Jangada de Pedra. Na sua produção mais recente, tinha a sensação de continuar a ler capítulos diferentes de um mesmo livro o que me fez reduzir o interesse por novas obras.

José Saramago com O Ensaio sobre a Cegueira em Persa (Imagem daqui)

Polémico pela forma como criticava a sociedade e a religião nos seus livros, bem como Portugal no seu discurso, abandona em protesto o País e vai viver para Lanzarote, se percebo a amargura, discordo do método que mais não é do que uma desistência de agir dentro da sua terra.

Um pormenor, vivi em proximidade física com este escritor no meu tempo de universitário. José Saramago era meu vizinho e com frequência nos cruzávamos na mercearia ou no café. Nunca tivémos diálogos maiores dos que têm dois cidadãos que educadamente partilham o mesmos espaços. Não lhe falava dos seu livros, nem de nenhum dos seus temas políticos... apenas banalidades. Até um dia vizinho... tenho muitos livros escritos por ti e talvez ainda venha a ter mais.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Análises de Riscos Geológicos e Protecção Civil

Um cientista da área de Riscos Geológicos, ao assessorar a Protecção Civil em situação de crise, debate-se frequentemente com um dilema: dizer o suficiente para alertar Pessoas e Instituições dos perigos que enfrentam, mas não dizer aquilo que levará a pânicos inúteis ou prejudiciais à salvaguarda dos Cidadãos, dos seus Bens e da Economia.

O equilíbrio entre a duas premissas muitas vezes não é fácil de se saber até ao fim da crise.
Isto vem a propósito de, neste momento, sismólogos da Comissão Nacional de Riscos Elevados na Itália estarem a ser processados judicialmente pelas mortes do sismo de Magnitude 6.3, a 6 de Abril de 2009, em Aquila, ao não terem alertado ou alarmado suficientemente as pessoas para aquele evento iminente (recorde-se que neste momento é impossível prever com segurança a ocorrência de um grande sismo num dado momento ou período curto de tempo).

Ribeirinha 9 de Julho de 1998 (foto Conceição Quaresma)

Este post é uma manifestação de solidariedade para com aqueles conselheiros que tiveram de enfrentar o dilema acima exposto e que enfrentam a incompreensão de quem desconhece a margem de insegurança que assiste a este tipo de alertas de Protecção Civil.

Por fim, esclarece-se que as medidas de redução dos efeitos de catástrofes naturais são estudos profundos para se conhecer generalidade dos riscos, políticas de ordenamento do território para se evitarem zonas de elevado risco, introdução de soluções de engenharia nos imóveis antigos e a construir para resistirem aos perigos e informação básica sobre os riscos a que as pessoas estão sujeitas e comportamentos a ter perante crises.

São praticamente inúteis os alertas em cima da hora, onde as medidas anteriores não foram a tempo implementadas e destes culpados a justiça parece não se preocupar convenientemente.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Moinhos de São Jorge

Nos Açores há uma grande diversidade de moinhos, frequentemente de influência flamenga, mas a tipologia dos da ilha de São Jorge é muito distinta da das restantes parcelas deste Arquipélago.

Sempre me impressionou que numa ilha de paisagem tão forte e agressiva como São Jorge, os seus moinhos se destacassem pelo seu aspecto frágil e tímido.

Apresentam uma base de pedra, onde deverá situar-se o mecanismo de moagem, e um topo de pequena dimensão em madeira, muitas vezes de cor vermelha, de onde saem duas ou quatro palhetas.

A parte de madeira parece rodar em conjunto sobre a base de pedra, para deste modo se posicionar na direcção necessária para acolher a energia do vento e assim poder laborar convenientemente.

Apesar do desaparecimento da profissão de moleiro, verifica-se que alguns externamente estão bem conservados, uma forma de preservar o património, embora desconheça se alguns engenhos estejam ainda em condições de funcionar como acontece noutras ilhas dos Açores.

domingo, 13 de junho de 2010

ENCONTROS DE PORTO PIM 2010


Arrancam hoje, dia 13 de Junho, os Encontros de Porto Pim 2010.

Ambiente, Cultura e Desporto ligado ao mar fazem parte dum vasto programa alargado por cerca de 8 dias e que poderão ir consultando diariamente aqui.
Uma organização conjunta de várias entidades e poderão saber mais poderão sobre a inicativa se consultarem esta notícia.
Participe, aproveitando o ambiente mágico do Porto Pim!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

VISITA A SÃO JORGE

Hoje, estou em viagem por São Jorge, aquela que é a minha segunda ilha dos Açores.

Claro que as Manadas são um dos destinos da visita ou não fosse esta uma das minhas terras desde de infância, mas se ouver tempo livre suficiente, não faltarão explorações por outros locais desta bela ilha açoriana, que recomendo todos a conhecerem.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 Junho Dia de Camões... e de Portugal

Luís de Camões, imagem daqui

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luis Vaz de Camões
Hoje, penso na dor deste Poeta ao ver a queda do seu País, olho para o meu Portugal e penso não sofrer menos...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Freguesias Rurais do Faial 9 - CEDROS

A Freguesia dos Cedros, além de ser uma das mais extensas da ilha, situou-se sempre no grupo das mais populosas e com as economias rurais mais pujantes do Faial. Embora se desconheça a data do seu povoamento, sabe-se que já fora elevada a este estatuto autárquico em 1594 e a origem do seu nome está relacionada com a importante floresta de Cedro-do-Mato, uma espécie da flora endémica dos Açores, que ocupava esta zona.


Situada numa vasta encosta de inclinação suave na zona norte do Faial, a qualidade dos seus terrenos, a sua grande área e a intensa actividade agrícola, conduziram a que esta freguesia fosse o centro da produção de lacticínios da ilha, tendo possuído pelo menos duas unidades fabris, no século XX, uma privada e integrada numa empresa de âmbito nacional, outra de índole cooperativa e envolvendo lavradores de toda a ilha, cuja manteiga e queijo nelas produzidos se destinavam em grande parte à exportação para o Continente.

As grandes transformações sociais ocorridas nas últimas décadas: com a terciarização da economia, o abandono local da produção agrícola e o declínio da vertente leite em detrimento da carne para a exportação, conduziram a uma redução drástica do sector leiteiro, o que levou ao encerramento da unidade fabril privada e a uma crise na única unidade transformadora de leite da ilha e ali situada.
A pujança económica e dimensão populacional no passado e a sua dinâmica social, levou a que a freguesia dos Cedros fosse frequentemente olhada como uma potencial sede de um futuro novo Concelho no Faial, que abrangeria as localidades mais afastadas da Horta. Hoje, a facilidade de transportes, a atractividade da maior urbe da ilha e o declínio agrícola têm provocado não só a redução da sua população, como também a perda do peso nos destinos do único Concelho desta terra dos Açores.

Apesar de tudo, os Cedros, com um povoamento altamente disperso, com núcleos distintos como a Rua de Cima/Janalves, Cascalho, Areias e sobretudo a Ribeira Funda, pela identidade mais forte desta, continua a ser a freguesia mais importante de toda a zona norte da ilha. As suas casas tradicionais e o modo de vida tradicional, tem nos últimos anos não só atraido investimentos de turismo rural, como numerosos europeus, que optam por calma e saudavelmente aqui viver, no meio do verde, ar puro e longe do bulício das grandes cidades do velho continente.

sábado, 5 de junho de 2010

5 de Junho: DIA MUNDIAL DO AMBIENTE

Uma paisagem natural na ilha de São Jorge

Viver em equilíbrio com as condições naturais do planeta é sem dúvida um dos maiores desafios que actualmente a Humanidade enfrenta.

Este ano as Nações Unidas centralizam as suas comemorações do Dia Mundial do Ambiente em Pitsburgo, Pensilvânia, EUA, sobre o lema "Biodiversidade - Gestão de Ecossistemas e a Economia Ecológica". Fonte Naturlink

quinta-feira, 3 de junho de 2010

MEMÓRIA DE UM DIA PRIMAVERIL

Depois de um início de semana tempestuoso, hoje o feriado veio acompanhado de tempo primaveril, permitindo não só os passeios, como as actividades lúdicas à beira-mar.
Isto diante do cenário idílico da Montanha do Pico, tal como comprova a foto tirada do carro num intervalo de leitura, perante o cantar das gaivotas acompanhadas pelo piano no auto-rádio.
No início de umas curtas férias, espero que desta vez o tempo esteja à altura da época.

terça-feira, 1 de junho de 2010

CURIOSIDADES: Obras do Porto da Horta

Já ouvi pessoas a se interrogarem do porquê daqueles pequenos barcos sempre à frente do novo molhe em construção da baía norte do porto da Horta.
Antes destas obras, uma equipa de arqueologia subaquática sondou toda a baía para a detecção de património arqueológico submerso ou não fosse esta uma zona de passagem dos navios entre Lisboa e os territórios do Antigo Império Português dispersos pelos vários continentes.
Presentemente, todo o local de implantação do molhe é rastreado com maior pormenor para detectar algum achado arqueológico, recolhê-lo e encaminhá-lo para local adequado.
Até ao momento, tal como já no passado foi noticiado nos jornais locais, as buscas não foram em vão.