domingo, 31 de outubro de 2010

FAIAL FILMES FEST 2010 - FFF2010

Arranca hoje a 6.ª edição do Faial Filmes Fest - FFF2010, o maior festival de curta-metragens da lusofonia realizado nos Açores, uma organização do Cineclube da Horta que já conta com a atenção de numerosos órgãos de comunicação locais, regionais e nacionais.


Este ano o Festival exibe obras de todo o território de Portugal (com o destaque para o Faial), do Brasil, de Cabo Verde e Angola.
Como já vem sendo habitual, há sempre uma homenagem a um realizador nacional pelo importância da sua obra cinematográfica, este ano a Faial Filmes Fest presta o seu tributo ao cineasta em actividade mais idoso do planeta Manoel Oliveira, com uma vasta obra reconhecida mundialmente e muitas vezes premiada noutros festivais Europeus.
8 dias de FFF cuja programação pode consultar aqui e, se está no Faial, não deixe de assistir às sessões, pois tão importante como o concurso, os prémios e a homenagem, é a envolvência dos Faialenses e o seu apoio a este evento que leva o nome da nossa ilha a todo o País e além fronteiras.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um Farol Perdido

Farol do Arnel - São Miguel. Foto de Carlos Campos

Entre as várias fotos que já recebi para possível publicação neste blog, esta é uma das mais me toca, por mostrar este farol de um ângulo que parece perdido sobre o mar, como que uma prova da solidão destes homens que a partir de terra tinham a função de guiar os homens do mar.

A memória da minha infância tem um espaço reservado para o farol da Ribeirinha: os cheiros dos seus motores, a rotatividade dos faroleiros e famílias com as crianças que iam e vinham todos todos, a companhia do feixe luminoso nocturno e a imponência do imóvel na paisagem, por isso, sempre que vejo um farol, fica-me cá dentro uma nostalgia e um vazio difícil de preencher...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Horta... observada de novos ângulos 4

Provavelmente, a maioria das pessoas ao olhar para esta foto é atraída pela imponente fachada da igreja do Carmo, todavia o que me justificou inicialmente o enquadramento foram os dois exemplares de araucárias.
A Horta, durante muitos anos, era famosa pelo grande número de araucárias de grande porte dispersas pela cidade, várias integram a lista do património classificado dos Açores, mas diversas árvores deste género foram destruídas por temporais, cortadas por razões de segurança ou urbanísticas.
Praticamente todas as araucárias do Faial são da mesma espécie: Araucaria heterophylla, em forma de cone como a mais à esquerda na imagem, que é endémica da ilha de Norfolk, situada a Este da Austrália, onde esta árvore faz mesmo parte dos seus símbolos heráldicos.
Todavia, há um exemplar diferente de todos os restantes plantados no Faial e está quase no centro da imagem: Araucaria columnaris (o nome diz tudo), endémico da Nova Caledónia. Pela sua exclusividade mereceu um post neste blogue.

Alerto para não se trazerem plantas do exterior para os Açores antes de se confirmar se saudáveis ou que não colocam em risco a flora natural do Arquipélago. Felizmente, apesar da beleza das auracárias, estas espécies não são invasoras e por isso não oferecem risco ao ambiente natural das nossas ilhas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Grandes poetas mundiais: Pablo Neruda


MAS DEU FRUTO

Mas quando
entre árido
sistemas dos píncaros
aparece
o homem
transformado,
quando da yurta
sai o homem
que há-de lutar com a natureza,
o homem que é não só
duma tribo,
mas da acesa massa humana,
não o errante
prófugo das altas solidões,
ginete de areia,
mas meu camarada,
associado ao destino do seu povo,
solidário de todo o ar humano,
filho e continuador da esperança,
então,
cumpriu-se a tarefa
entre as cicatrizes dos montes:
ali o homem é também nosso irmão.

Ali a terra dura deu seu fruto.

In "As uvas e o vento"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A origem da areia marinha

Quem olhar para as fotos deste post, verá que a primeira e terceira correspondem a uma praia litoral de calhau, enquanto a segunda e quarta, obtidas no mesmo local, já existe uma grande quantidade de areia.

Tal situação ficou a dever-se ao facto de nas proximidades, em meados do Verão, ter ocorrido um volumoso desabamento de arriba costeira. Depois, já no início do Outono e por erosão marinha, este transformou-se numa importante fonte de areia para o litoral nas imediações. Esta situação permite explicar alguns fenómenos associados à dinâmica costeira, nomeadamente:


A principal fonte de areia marinha não é o próprio oceano, mas sim a terra emersa. Sobretudo, a erosão que o mar faz sobre a linha de costa e o material transportado (carga sólida) pelos cursos de água (rios ou ribeiras) nas ilhas e nos continentes.

Nem sempre a deposição de areia ocorre nos períodos de mar calmo. Neste caso, foram as maresias que permitiram galgar o escorregamento, retirar maiores volumes de grãos de rocha da dimensão das areias, transportá-los pela agitação das ondas e correntes e depositá-los em locais costeiros mais elevados, relativamente protegidos das zonas de maior hidrodinamismo costeiro

Por último, embora a maioria das pessoas associem o termo "praia" aos depósitos costeiros de areia. As acumulações no litoral de materiais mais grosseiros também se chamam "praias". Assim, existem praias de areia, praias de areão, praias de cascalho, praias de blocos ou calhaus, constituídas por rochas sedimentares desagregadas e provam que nos Açores nem todas as rochas são vulcânicas.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Blog Action Day 2010, Tema: ÁGUA

Porque a água doce em condições para o consumo humano é um recurso natural escasso, ameaçado, desigualmente distribuído no planeta e inacessível em boas condições a milhões de pessoas.
Porque apesar da intensa pluviosidade no Arquipélago, os recursos hídricos para consumo humano nos Açores também são altamente vulneráveis à acção irresponsável do Homem.
Porque urge estar consciente do problema para saber agir:
O Blog Geocrusoe adere, neste dia 15 de Outubro, ao Blog Action Day 2010, subordinado ao tema ÁGUA.
Água, um tema sempre pertinente para a reflexão, caso queira, pode ainda assinar a petição de apoio às Nações Unidas no Esforço de Levar Água Limpa e Segura a Milhões de Pessoas, no link da coluna da esquerda deste blog.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

RISCOS NATURAIS: Outono

O Outono, como estação de transição entre o período de bom e o de mau tempo, é propício à ocorrência de fenómenos de enxurradas e inundações associadas a ribeiras obstruídas, muitas vezes também por falta de limpeza dos restos de abates de árvores nas margens das linhas de água, deposições ilegais e incontroladas de entulhos nos leitos destes cursos e falta de limpeza de condutas e aquedutos.
Um momento de se olhar a realidade à nossa volta, antes que seja tarde e o papel de cada um pode dar um contributo importante para o bem de todos, além de si próprio.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pela Ilha de São Miguel

Cidade de Ponta Delgada

Não são férias, apenas uma viagem de trabalho que me obriga a percorrer vários recantos da maior ilha dos Açores, provavelmente em contra-relógio para poder concluir todas as tarefas.
Espero apenas que também a meteorologia outonal não venha a perturbar o trabalho de campo e as viagens dos aviões interilhas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fachada de Azulejos

Sempre me encantou azulejaria de exterior em edifícios, uma arte e forma de acabamento tipicamente portuguesa.
Certo que em tempos não muito recuados o gosto popular por esta forma de arte lusitana, manifestado incorrectamente pelo uso de azulejos não destinados a fachadas, em vez de ser bem orientado por fazedores de opinião pública, artistas plásticos, indústrias de cerâmica e construção civil, que poderiam ter aproveitado esta atracção para adaptar a tradição à contemporaneidade, foi simplesmente rejeitado.
Numa terra onde a humidade atmosférica é tropical, onde a chuva e o vento insistem em danificar rapidamente as pinturas das moradias, as casas antigas com azulejos tradicionais há décadas que mantêm o seu aspecto fresco, requintado e com pequeníssimos custos de conservação.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poetas e poemas oportunos: Sebastião da Gama 1

Imagem daqui com indicação do autor


Meu País Desgraçado

Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama extraído daqui

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

1 de Outubro - Dia Mundial da Música

Música... desde que nasci a música faz parte da minha vida: cresci a ver ensinar música, em casa aprendi música, saía para tocar música e penso que hoje não sei viver sem música. Erudita, folclórica, nacional, ligeira e inclusive heavy metal, a diversidade é grande, o gosto cultiva-se, mas não tem de se ser eclético.
Hoje vários estilos dos meus gostos, alguns surpreendentes, em homenagem a um reino que me faz amar a vida: o da Música.

Erudita



Canção da Terra - O Adeus, de Mahler, é talvez o lied que ouço mais vezes e uma das obras que mais gosto, aqui com a magnifica voz de Jessye Norman acompanhada pelas pinturas do grande vienense Klimt, tendo em conta a cidade onde o compositor viveu grande parte da sua vida...

Canção Nacional



Barco Negro, sempre me tocou esta canção, aqui na voz daquela que merece ser a rainha da música portuguesa.

Folclore dos Açores



Aqui tocado pela Lira Açoriana, em homenagem a todos os músicos dos Açores e, com uma pontinha de bairrismo, os das filarmónicas do Faial, os quais acompanho há longos anos a sua evolução e persistência e para quem todos os elogios são poucos pelo muito que fazem.

Heavy Metal


Pelo que tenho visto, não são raros os wagnerianos que tem esta costela gótica, o que muitas vezes surpreende aqueles que pensam que os melómanos são incapazes de ouvir música tão distante da Canção da Terra, os Iron Maiden há muito que se cruzaram comigo e tem-me feito companhia em muitos momentos...