domingo, 25 de novembro de 2012

AMMAIA - Cidade romana no Alentejo e a importância do guia

Ainda no rescaldo das minhas férias e das maravilhas do Alentejo raiano,  na sequência do artigo referente à arqueologia,  importa informar que aquando de uma visita a Marvão se deve para o mesmo concelho programar uma visita às ruínas da antiga cidade romana Ammaia, situada na freguesia de São Salvador da Aramenha.
Uma cidade cujos alicerces e parte das sua estrutura está presentemente a ser escavada e desenterrada ao longo de vários hectares e acessível à visita através de um museu introdutório e com muitas peças arqueológicas.
No museu, além das lamparinas e do moinho na foto, várias estátuas, moedas, joias, e cenários reconstituídos, existem textos explicativos sobre a importância, dimensão, estrutura e organização de Ammaia no contexto da sua época.
O museu permite ainda compreender e aumentar o interesse do que se observa no exterior que vai desde os restos de arruamentos, portas de entrada na cidade, termas e templos, até estruturas de armazenamento de cereais, vinhos etc.
A terminar, saliento que no museu encontrei um dos melhores guias/rececionistas do País, que calmamente e com um saber e interesse enorme sobre o assunto e com uma técnica de comunicação cativante, explicou com um pormenor técnico digno de louvor os conhecimentos em torno do que seria a Ammaia, as incertezas  e as confirmações já obtidas, tornando esta visita inesquecível e apetecível a novas deslocações para observar os que se perspetiva com os trabalhos de prospeção em curso.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"Gente Independente" de Halldór Laxness


Há livros cuja sua estrutura e forma de escrita se sobrepõem a tudo e se tornam obras de arte literária e como tal merecem ser lidos.
Há livros cuja dimensão da sua estória e mensagem se tornam o cerne de uma obra prima literária que forma espíritos e por isto devem ser lidos.
"Gente Independente", editado pela Cavalo de Ferro, de Halldór Laxness, é uma obra já com 77 anos e o seu protagonista, em vez de ser um islandês, poderia ser o povo português do século XX e a revolta contra o sistema poderia ter sido escrita hoje 14 de novembro em Portugal.
"O homem não é criminoso o bastante para saber viver dentro deste sistema social."
É uma frase forte, mas muito bem demonstrada pela resistência e lição de vida, roçando a obstinação e por vezes cruel, de Bjartur para se tornar num homem livre.
Um romance duro, cruel, terno, irónico, doloroso, romântico, comovente e revoltante que - apesar de uma escrita densa, alguns parágrafos muito extensos, com nomes de personagens impronunciáveis e por vezes demasiado semelhantes que obrigam a um certo esforço - deveria ser lido por todos.
Provavelmente, este será o romance que maiores marcas me deixará em 2012 e só por si justifica o Nobel que o seu autor recebeu, o pensamento de Halldór evoluiu com o tempo e inclusive sentiu-se defraudado com muitos comportamentos dos sistemas que defendeu, mas o romance também dá perceber muita da revolta que gente honesta hoje em Portugal sente sem nunca ter partilhado ideais políticos.

domingo, 11 de novembro de 2012

São Martinho como personagem num romance histórico


Por que hoje é dia de S. Martinho, eis um livro em parte policial e em parte um romance histórico que dá a conhecer a região de Braga no período final do império romano, com a decadência do paganismo e a ascensão de um cristianismo ainda numa fase imatura e influenciável por aquilo que a hierarquia religiosa classificou de heresia.
Um romance diferente, onde São Martinho de Tours desempenha um histórico papel... e até o S. Martinho de Braga ou de Dume surge na estória.
Por norma não sou admirador de jornalistas que de repente viram a escritores de best sellers, João Aguiar ocupou um lugar diferente e tendo em conta a festividade do dia e a divulgação histórica, aqui vai um livro que me marcou nos últimos anos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pela Estrada Fora de Jack Kerouac


Durante as minhas recentes viagens pelas estradas à descoberta de Portugal fui lendo nos intervalos "Pela Estrada Fora" de Jack Kerouac.
Sabia da polémica que envolveu este livro na década de 1950, penso mais pelo estilo de vida baseado em pessoas reais, que ficaria conhecida como geração beatnik e exposta de uma forma sentimental, saudosista e acrítica, do que pelo seu conteúdo literário. Efetivamente como modelo de sociedade, se a maioria dos norteamericanos optasse por aquela forma de vida, algo irresponsável e sem planeamento futuro, não sei aonde os USA estariam agora.
Apesar de escrito com recurso a uma linguagem juvenil simples, que à primeira vista parece despretensiosa, trata-se de uma obra bem escrita, com recursos estilísticos de alguém que leu numerosas obras literárias e muitas das quais clássicos de culto.
Confesso que gostei do livro, do estilo literário e da tradução, mas apesar de gostar de viajar, não me senti tentado pelo género de vida beatnik, mas a obra pode cultivar alguma irresponsabilidade em jovens que sigam os sonhos sem refletir as consequências do caminho que optem seguir com o coração e por paixões passageiras.