segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013

Votos de um Feliz 2013
com saúde e possibilidade de aproveitar muitos livros, muitos concertos, muito cinema, muita ciência e muita cultura.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A boneca de Kokoschka - Afonso Cruz


"A Boneca de Kokoschka" de Afonso Cruz, uma das obras vencedoras do Prémio de Literatura da União Europeia para o ano de 2012, é um daqueles exemplos que mostra que a atual arte literária que se produz em Portugal está viva, é original e altamente recomendável.
O autor cria uma trama que envolve um romance com personagens do próprio romance e sobreviventes aos bombardeamentos de Dresden que por sua vez, diretamente ou indiretamente, se cruzaram com a boneca que o pintor Kokoschka mandou esculpir para representar o corpo da sua amada Alma Mahler, paixão cuja relação ela rejeitara alimentar e ocorrida já depois da morte do importante compositor Gustav Mahler.
Estórias dentro da estória, misturando realidade e ficção, numa escrita fria, introspetiva, absurda, crítica, irónica e sentimental que mostra a capacidade técnica do escritor e a versatilidade da língua portuguesa que tanto pode lembrar Gonçalo M Tavares ou Kafka e sem deixar de ser um original Afonso Cruz.
Um excelente romance onde é bom perdermo-nos na sua teia labiríntica e deixarmo-nos conduzir pela mão do escritor que inteligentemente brinca e nos leva à saída. Uma pequena obra que gostei muito.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


 A todos os visitantes deste espaço 
Apresento os meus votos de

Um FELIZ NATAL cheio de Amor
Calor Humano

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Solstício de inverno de 2012

Começou hoje o inverno às 10h12 dos Açores, sempre coincidente com o solstício de dezembro, momento este ano coincidente com outros alinhamentos cósmicos que com uma regularidade perfeita ocorrem ao longo da história da Terra e sem nenhum significado para além de fazerem parte dos ciclos do universo que regem o tempo e as estações do nosso planeta, sistema solar, galáxia e tudo o que nos envolve.
Assim, hoje temos o dia com a duração de exposição solar mais curta do ano e a noite mais longa, a partir de amanhã e até o próximo solstício de verão, lá para o mês de junho, teremos a parte diurna sempre a crescer e a noturna sempre a decrescer.
É assim a regularidade do universo, mesmo que alguns outros pretenda escrutinar significados ocultos na máquina do tempo da natureza.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Manhattan Transfer de John dos Passos


Foi uma estreia nas obras de John dos Passos, neto de madeirenses, que agora surgem editadas em Portugal pela Presença.
O Romance é um conjunto de cenas urbanas relatadas de forma vertiginosa, sem uma estrutura linear, mas que projetam no fim o retrato da cidade de Nova Iorque no ínício do século XX até à lei seca. 
Uma urbe onde se misturam pessoas da city, pessoas de sucesso, falidos, pedintes, políticos, jornalistas, imigrantes, conservadores, progressistas, sindicalistas, frustrados e gente da Broadway com todos os seus vícios. Uma composição que mais parece um quadro dos pintores vanguardistas da mesma época em Paris, onde cada secção por si pode parecer estranha estar ali, mas que no fim torna uma obra retalhada e completa.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os Filhos da Meia Noite - Salman Rushdie



Saleem Sinai nasceu à meia-noite da independência da Índia, tal como Shiva, mas num ato de justiça social face às classes que os separavam foram trocados. Estas crianças, tal como o conjunto dos nascidos na primeira hora deste novo Estado ficam ligadas ao futuro do seu País natal.
O livro relata a biografia, ora na primeira, ora na terceira pessoa, de Saleem Sinai, desde a vida da sua família adotiva, a suas relações de medo-ódio com Shiva e também com os que estão ligados pela data e hora de nascimento e ainda as respetivas correlações e efeitos deste grupo nos acontecimentos ocorridos nas primeiras décadas da história da Índia, Paquistão e Bangladesh.
Booker prize de 1981, foi considerado o melhor dos premiados aquando dos 40 anos desta distinção e um dos 100 melhores livros do século XX segundo o Le Monde.
Obra de estilo realismo mágico, o romance apresenta uma escrita com extensos pormenores descritivos, muitos de forma fantasiosa e abusa de excreções orgânicas como simbolismos, se as últimas poderão ter um enquadramento cultural, os múltiplos fios da teia relatada por vezes faz-nos perder na narrativa, algo que o próprio autor (antes de ser alvo da fatwa islâmica) deve ter sentido, pois repete por vezes sínteses essenciais para o leitor seguir o fio da estória e compreender a sua relação com a história real do subcontinente indiano.
Como romance reconheço a genialidade da imaginação na estória, como estilo, confesso que me deixou por vezes algum asco e reforçou a minha ideia de se inserir numa cultura bela, cheia de pormenores artísticos, mas inseparável de uma escassez de asseio tolerada que se torna às vezes simbólica.
Interessante também o exposição das múltiplas origens culturais na atual panóplia indiana, estão presentes as influências inglesas, portuguesas, árabes e locais, bem como as religiões cristãs, hindus e islâmica, por vezes tratadas com algum sarcasmo, e as combinações possíveis de tal mistura, a componente lusa tem mesmo um presença significativa na vida de Saleem Sinai...
Um bom romance, vindo de uma cultura diferente, o que por vezes não facilita a compreensão e a leitura.