segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

À sombra das raparigas em flor de Marcel Proust



Depois do meu mergulho arriscado no primeiro volume de "Em busca do tempo perdido", que falei aqui, mas que li no passado verão onde deixo claro que "Do lado de Swann" não é uma obra fácil, assumo que são sobretudo difíceis as primeiras páginas, senti-me motivado a continuar, eis que colhi um intenso prazer ao ler o segundo da série "À sombra das raparigas em flor".
Sempre num estilo de exposição da memória do narrador e reflexões prolixas sobre as vicissitudes do amor: Como conquistar o ser amado? Como esquecê-lo? As vitórias e as derrotas nesta tarefa de se querer ser amado, as angústias que acompanham tudo isto e a resistência individual às mudanças perante os hábitos de cada um, tudo isto com misturas sobre uma análise crítica da sociedade: os seus tiques, os vícios, os defeitos, as virtudes, as técnicas de relações sociais, os preconceitos e os arrojos.
Se no primeiro volume é a música um dos temas prediletos para Proust dissertar sobre a arte, o seu papel social e a exposição do evoluir das técnicas de composição é tratada para evidenciar o dinamismo do avançar do pensamento cultural e social, confrontar o conservadorismo e o modernismo; no segundo livro, a literatura e a pintura são as ferramentas usadas para um ensaio de análise sobre a arte e para atingir igual objetivo.
"À sombra das raparigas em flor" por ser um livro onde as memórias do narrador  se passam na sua juventude e as protagonistas são ainda jovens, algo brilhantemente exposto no título, esta obra possui uma ternura fresca e pura, típica desta fase da vida, semeando um saudosismo delicioso a quem já passou por essa idade e recorda esses tempos, mas não deixa de ser um texto profundo que exige já uma certa maturidade literária do leitor para apreciar esta peça como uma obra de arte.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Do lado de Swann - Marcel Proust




Quando o li não escrevi qualquer artigo neste blogue, ficam abaixo dois textos, adaptados para o momento, e escritos noutros espaços sobre esta obra.

Cruzei-me no passado verão com o primeiro volume de "Em busca do tempo perdido", numa tradução de Maria Gabriela de Bragança de 1984, numa edição em letra quase microscópica dos livros de bolso da Europa-américa.
Nunca lera Proust, mas a curiosidade e o receio desta obra já há muito nascera em mim, por coincidência acabara de ler um livro na noite anterior e era momento de começar noutro. Assim, por uns cêntimos, lá aventurei-me a entrar nas recordações dum narrador que escreve parágrafos de várias páginas e é capaz de pormenorizar e vaguear em torno de um pormenor em memória.
Depois de Rubem Fonseca, primeiro estranhei... agora estou a entranhar.
A tradução parece razoável, se tiver como referência excertos na internet da de Tamen, apesar das numerosas gralhas de impressão, mas é um mundo totalmente diferente do que eu já lera até hoje: fácil não é, mas é profundo e dá para refletir sobre o comportamento psicossocial do ser humano.

Pode-se amar ou odiar esta forma de escrever, ficar indiferente talvez não e ainda é cedo para falar mais do isto...
A gente não conhece a própria felicidade. Nunca se é tão infeliz como se julga...
...a gente não conhece a própria desgraça, que nunca se é tão feliz como se julga."
Marcel Proust "Em busca do tempo perdido. Vol. 1"

Duas ideias curtas que se encontraram num mesmo parágrafo de um livro onde divagam ideias ao longo de uma escrita prolixa e por onde muitas vezes nos perdemos, mas onde gostei de mergulhar...


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Memória da II Guerra Mundial de Churchill




As escritas literárias não são apenas ficção e poesia, também existem viagens, ensaios e memórias e por estas Winston Churchill foi laureado com o prémio Nobel da literatura em 1953.
O presente livro é uma compilação do autor de 6 volumes de memórias, mesmo assim este resumo continua extenso, mas tem a virtude de mostrar uma visão pessoal dos tempos desde o fim da primeira grande guerra até uma década depois do fim da II Grande Guerra (IIGG).
A obra apresenta uma escrita descomplicada, por vezes com divulgação de correspondência oficial e pessoal do período a que dizem respeito, o que permite compreender como este homem viu, temeu e previu o que levou à IIGG e como lhe foi parar às mãos a tarefa de enfrentar Hitler, isto após um conjunto de erros que conduziram a que este ditador, não só tomasse o poder na Alemanha, como também se tornasse uma ameaça a todo o mundo livre da Europa.
Uma ideia é justificada na primeira parte do livro: nunca a Europa teve tanto tempo e possibilidade para evitar uma guerra como antes da IIGG, mas a cobardia pode minar as democracias e dar força ao ditadores. 
Depois dá para ver como os erros do passado saem muito caros no futuro e por vezes quem os tem de corrigir não são os culpados da história, contudo a determinação é difícil, sobretudo quando taticismos ensombram a boa vontade nos momentos de enfrentar os problemas, mas não se pode desistir quando os valores da liberdade estão em perigo.
Ironicamente, o homem que salvou a democracia foi o primeiro a ser derrotado por esta na sua vitória.
Um extenso livro repleto de pensamentos que dão para perceber muitos dilemas de alguém que teve de enfrentar os problemas dos povos num período que mudou a Europa.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dias de Reis - Presépios tradicionais no Faial

Dia 6 de janeiro era tradicionalmente o Dia de Reis, coincidente com a festa da Epifania da Igreja Católica. Os tempos modernos e laicos transferiram esta festa para o primeiro domingo após o primeiro dia do Ano Novo, mas em 2013 as duas datas sobrepuseram-se.
 Presépio nos Espalhafatos

Tradicionalmente as famílias faialenses faziam os seus presépio com recurso a pedras que cobriam com musgo, líquenes, ramagens, serradura, bagacina e areia para imitar pastagens, currais, terras de cultivo e caminhos, sobre os quais se sobrepunham figuras de pessoas e animais, miniaturas de casas e monumentos das nossas terras, num recanto ficava a lapinha com a Sagrada Família com um menino Jesus recém-nascido, pelo caminhos havia sempre a representação dos 3 reis magos.

Presépio em Pedro Miguel

Desde que se instalou o hábito dos concursos de presépios passei a dar a volta ao Faial a visitar várias destas representações abertas à população, em 2013 cumpri esta tradição e aqui vão dois dos presépios tradicionais entre outros que visitei.