terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"A Leste do Paraíso" de John Steinbeck

"A leste do Paraíso" de John Steinbeck é um romance cheio de mensagens subliminar tendo como base a vida de três gerações de duas famílias que no final do século XIX se cruzam no vale do Salinas na Califórnia. Uma é a do próprio escritor, os Hamilton, que cresceu do idealismo desinteressado e humano do seu patriarca imigrante. A outra, ficcionada, os Trask é progressivamente marcada pela luta entre a bondade e a maldade e a possibilidade de uma pessoa vencer o mal que há em si.
Steinbeck serve-se do relato bíblico do fraticídio de Abel por Caim e da oportunidade deste em se reabilitar do seu crime, refugiando-se a Leste do Paraíso, para evidenciar que a recusa do idealismo em aceitar o mal pode ser causa de rejeição de quem necessita de se reabilitar, mas cabendo a este a responsabilidade de escolher o bem.
Apesar da filosofia subjacente, a obra é muito acessível, está brilhantemente escrita, as personagens cativam o leitor, a trama é muito bem construída e o fio da história mantém um interesse continuado mesmo quando intercalado de informações históricas da época que vai desde a guerra dos Estados Unidos com o México à I Grande Guerra Mundial. Um romance magnífico que recomendo a qualquer leitor e dá para perceber a genialidade de Steinbeck, o vencedor do prémio Nobel da literatura de 1962.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Votos de FELIZ NATAL

Imagem extraída daqui

Geocrusoe deseja a todos os leitores deste blogue espalhados pelo mundo, tanto interessados em ciências da Terra como em livros ou com outros gostos, que tenham um Feliz Natal e aproveitem esta quadra para presentear os amigos com bons livros dos mais variados géneros.

domingo, 21 de dezembro de 2014

"Mataram a Cotovia" de Harper Lee

"Mataram a Cotovia" de Harper Lee, é um livro ao estilo de memórias da infância de uma menina que vai descobrindo os contrastes entre a população da sua pequena cidade no Alabama, marcada pelo racismo e o segregacionismo, e o comportamento do seu pai, advogado, viúvo cheio de valores humanos e defensor da equidade de todas as pessoas, que procura incutir de forma inteligente estes valores nos seus filhos.
O objetivo do progenitor poderia ser conseguido sem sobressaltos não fosse ele nomeado defensor de um negro contra uma acusação de um homem branco pertencente a uma família desestruturada de valores, passando então o advogado a lutar pela justiça, contra o preconceito social e ainda na garantia da proteção dos seus filhos nesta tempestade.
O romance, embora relatado pela mente de uma criança, tem uma escrita muito poética e os valores vão sendo descobertos de uma forma progressiva e até mesmo a crítica ao comportamento coletivo é temperada pelo bom senso, compreensão e exposição de algumas pessoas que educam a protagonista, sobretudo o pai. O livro é uma obra prima, marcante e foi prémio Pulitzer de 1961 e de facto é uma obra maravilhosa que recomendo a todos.

domingo, 14 de dezembro de 2014

"Os luminares" de Eleanor Catton


"Os Luminares" da neozelandesa Eleanor Catton é um romance de ficção e entretenimento com recurso ao suspense em torno de um crime ocorrido numa cidade recém-criada pela corrida ao ouro na Costa Ocidental da Nova Zelândia em meados do século XIX.
A obra, extensa (884 páginas), com uma caracterização física e psicológica profunda das personagens, apresenta uma escrita muito cuidada, rica e tradicional. O texto possui uma estrutura semelhante à dos romances ingleses e franceses característica da época em que se desenrola a estória, com vilões, prostitutas, ingénuos, vinganças, crimes, pesquisas criminais, julgamentos em tribunal e paixões num mundo onde as mulheres são uma raridade. As pistas vão sendo expostas com o desenrolar do enredo, mas apenas se esclarecem as dúvidas com um regresso aos antecedentes do crime na última parte do livro que vai até à exposição no final.
"Os Luminares" foi prémio de ficção Governor General 2013 no Canada, destinado a autores residentes ou nascidos neste País, como também Man Booker Prize 2013, entregue a obras escritas em inglês na Commonwealth. Nem sempre estes galardões correspondem a obras que me agradem pela positiva, mas neste caso fiquei muito bem impressionado, tendo ainda em conta a maturidade da escrita numa jovem então com 27 anos e o talento demonstrado, o que evidencia que se podem fazer bons romances atuais sem cortar com a tradição de escrita e estrutura literária clássica. Gostei muito e recomendo a todos a leitura.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"Quincas Borba" de Machado de Assis


Apesar de Quincas Borba ser uma personagem fictícia introduzida no primeiro romance dos dois de Machado de Assis contidos neste livro, na realidade "Quincas Borba" é uma obra bem diferente no modo de escrita e na estrutura de "Memórias póstumas de Brás Cubas".
Agora não se está perante as memórias ou uma autobiografia do protagonista a qual envolve uma paixão de infidelidade conjugal, mas sim do relato exterior da vida do herdeiro do filósofo rico e criador do "Humanitismo" Quincas Borba: o professor rural Rubião e guardião do cão "Quincas Borba", homónimo do seu primeiro dono para lhe preservar o nome após a sua morte que opta por passar a viver na capital Rio de Janeiro.
Igualmente escrito com humor e ironia sobre os comportamentos sociais e políticos na capital, onde não falta uma paixão de Rubião, mas agora não satisfeita, mas também existe o problema da identidade e alienação psicológica do protagonista, a garantia de fidelidade do cão e duvidosa de Sofia, os amigos verdadeiros e os oportunistas de ocasião. Uma obra que penso mais madura e profunda, o romance de Machado de Assis que mais gostei. Recomendo a qualquer leitor tipo de leitor que goste de ficção pela facilidade de leitura e qualidade da sua escrita.