quarta-feira, 28 de junho de 2017

Tempest-tost da Salterton Trilogy de Robertson Davies





Acabado de ler o primeiro romance desta trilogia, uma trama sem protagonistas definidos, muito britânica como habitual no autor. Por meio de algumas táticas o grupo de teatro 🎭 amador de Salterton obtém autorização para levar a cabo uma representação e encenação de "A tempestade" de Shakespeare nos jardins duma família rica e influente da cidade universitária (ficticia), só que nada será simples até à estreia de verão, paixões, ciúmes choque entre a encenadora profissional e atores com várias personalidades e interesses diversos, além de tiques e bajulaçoes à filha do anfitrião  e atriz convidada de forma interesseira pelo grupo, encaminham o conjunto dos intervenientes para uma tempestade perfeita. Divertido, elegante, bem escrito, satírico e análises sociais são características deste primeiro livro da trilogia.
Gostei e já entrei no segundo da série como leitura de avião ✈ a caminho da terra de Robertson Davies.
(texto republicado do meu comentário à obra em facebook)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Livros sobre a cidade da Horta, o Faial e inclusive outras ilhas dos Açores

No verão a Horta recebe muitos turistas e descendentes das nossas comunidades de emigrantes pelo mundo fora, perguntam-me por vezes onde podem encontrar livros sobre a história desta terra. A receção da biblioteca pública regional João José da Graça, no edifício situado no extremo sul do largo Duque d'Ávila e Bolama, a mesma praça onde se encontra a Matriz e o Museu, é talvez o local mais adequado a este objetivo.


Na minha opinião a maior produção de publicações sobre o Faial, a sua cidade da Horta e outras ilhas relacionadas com esta relacionada tem sido fruto do trabalho do Núcleo Cultural da Horta através de investigadores por cá residentes ou por cooperação com professores de outras instituições, com destaque para a Universidade dos Açores.

Nas fotos alguns dos títulos disponíveis neste local e editados pelo Núcleo Cultural da Horta cujas obras podem também ser encomendadas pela internet através deste site do NCH.

Boas opções que recomendo

terça-feira, 13 de junho de 2017

"As Regras da Casa da Sidra" de John Irving


O romance do norte-americano John Irving "As regras da Casa da Sidra" que acabei de ler, não sei se intencional ou não, apresenta um resumo, tanto no site onde comprei o livro, como no verso da capa deste, que se desvia em muito do cerne da questão principal levantada pela obra: o aborto pela livre escolha da mulher. Não importa se o leitor deste post é a favor da questão ou não, mas os vários episódios principais que marcam as personagens de um modo ou outro encaminham sempre o problema para esta questão ética.
Wilbur Larch jovem do Maine decide seguir medicina, na sua fase de viragem a adulto é-lhe ofertada pelo pai uma noite com uma acompanhante mais velha, depois conhece a filha, mais tarde já como médico e perante uma gravidez indesejada desta, ele recusa-se à interrupção, o que a conduz indiretamente à morte. Uma marca deixada pela mãe e o fim da filha levam-no a recolher-se num orfanato onde se torna no médico residente, viciado em éter, que estabelece uma rotina com os acolhidos e de onde dá plena liberdade às grávidas que ali se dirigem para estas criarem um novo órfão, a acolher na instituição para adoção, ou de evitar um filho indesejado. Uma prática então ilegal, este agir leva a que o estabelecimento seja visitado por muitas mulheres e entre os bebés que acolhe afeiçoa-se a um: Homer, cujas peripécias o impediram de ser adotado. Wilbur ensina-lhe a sua profissão e torna-o num obstreta dotado de prática exemplar, mas que recusa o papel de Deus na decisão de uma vida. Um casal jovem, bonito e rico vai ao orfanato e recebe o jovem de igual idade para a sua quinta de maçãs e sidra. Começa então uma relação amorosa a três que mistura admiração mútua, desejo, respeito e transgressões, com tempo este órfão torna-se central na empresa, mas à distância o médico velho prepara o seu sucessor e sabe que só o seu educando pode ocupar aquele local e monta uma estratégia para o seu trabalho continuar.
A obra está escrita por vezes de uma forma crua, com  tons científicos de práticas médicas, noutros está cheia de ternura, numa mostra de relações humanas onde se cruzam questões éticas e os instintos íntimos, redigido de uma forma elegante. Para mim a personagem principal da obra não é o protagonista Homer, mas sim quem o criou.
Sim, gostei muito do romance, que até no amor entre personagens principais cria situações incómodas para os princípios éticos de uma relação familiar, de amizade e amorosa, além de outras situações que perturbam o leitor, é sem dúvida um grande romance, inclusive no tamanho (750 páginas), bem escrito, com ironia e amargura temperada com questões de ética, carinho e paixão, que recomendo a quem o preconceito não se sobrepõe à questão ética que a obra aborda.

sábado, 3 de junho de 2017

Os dias de Charlie nas Western Islands


Fui ao lançamento de mais um livro editado pelo Núcleo Cultural da Horta que tem em cooperação com vários historiadores publicado um conjunto de obras sobre o passado do Faial e várias outras ilhas dos Açores.
Desta vez temos uma edição epistolar bilingue, português e com o textos originais em inglês na segunda parte, com várias imagens da Horta do século XIX. 
"Os dias de Charlie nas Western Islands" tem como subtítulo " As ilhas do Faial e Pico na visão de um turista americano a meados do século XIX" corresponde a uma coletânea de cartas de um jovem americano que saiu de Havard para combater na guerra civil da América, onde se feriu e desenvolveu febre tifóide, pelo que a família, de estrato social elevado de Boston, o mandou para a Horta a fim de se reabilitar fora dos rigores do inverno na Nova Inglaterra.
Durante a sua estada no Faial escreveu diversas cartas aos familiares, onde não só narra a sua visão da vida de então no Faial e Pico, como os seus contactos com algumas das pessoas de maior craveira intelectual e social da cidade de acolhimento, nomeadamente o clã do Cônsul Dabney e elementos Arriagas, de onde saiu poucas décadas depois o primeiro presidente da república eleito de Portugal.
Assim, num trabalho de Ricardo Madruga da Costa, Carlos Riley e Isabel Albergaria, mais um livro acessível a quem domina apenas o Português ou o Inglês com um retrato destas ilhas quando o cosmopolitismo internacional era uma marca fortíssima que marcava a cidade da Horta.
O livro pode ser adquirido diretamente no Núcleo Cultural da Horta, a funcionar na Biblioteca Pública João José da Graça, ou através da internet no site deste núcleo aqui